Mitos em Saúde Infantil

Existem vários mitos na área da saúde infantil. Diversos trabalhos científicos foram publicados nos últimos anos e visam esclarecer algumas destas informações erradas.

Alimentos. Excluir alimentos como peixe, gema de ovo, carne de porco e frutas nos primeiros tempos de vida parece não ser o mais correto. A seleção visava prevenir alergias, mas as organizações internacionais defendem que atrasar a diversificação alimentar, mesmo em alérgicos, não traz benefícios.Também não se deve obrigar a comer nem negociar alimentos por alimentos – por exemplo, dar uma bolacha para compensar ter comido sopa – e os legumes e frutas devem estar sempre na mesa porque a sua presença influenciará a alimentação na vida adulta.

Suplementos alimentares. Vitaminas para quê? A sociedade moderna caracteriza-se pela abundância e uma dieta equilibrada é suficiente. A exceção, sobretudo no primeiro ano de vida, é a vitamina D.

Peso. Gordura não é formosura. Cada criança tem o seu ritmo e as variações nem sempre são sinal de doença. Os pediatras afirmam que os pais modernos se preocupam em excesso com o crescimento e recomendam que pesagem e medição só sejam feitas nas consultas de rotina.

Banho. Esperar pela digestão para dar banho é um mito. A água utilizada está morna e não existe choque térmico, responsável pela congestão. O banho deve ser um prazer e a regra é água quanto baste e pouco produto de limpeza, sobretudo com glicerina, porque seca e irrita a pele em demasia.

Pele. A limpeza exagerada é inimiga da pele e, um banho seguido de uma loção hidratante, é suficiente. Na zona da fralda é necessária cuidado no uso de toalhetes, pois limpam a sujidade, mas também podem arrastar a camada superficial da pele. Quando a fralda só está molhada e não existe irritação não é necessário usar creme ou pastas sob risco de provocar uma sensibilização excessiva. E o pó de talco está fora de moda porque as partículas podem ser inaladas pelo bebé.

Fralda. O uso precoce do bacio está fora de questão. Os pediatras estão a recuperar a tradição de retirar a fralda só aos dois anos porque o controlo precoce do esfíncter pode trazer problemas.

Botas ortopédicas. A ortopedia moderna respeita as regras de crescimento do pé e da marcha das crianças e qualquer calçado que faça alguma contenção interfere com a evolução normal. É ponto assente que é o exercício e não o calçado ortopédico ou formativo que cumpre a missão fisiológica. Sempre que possível, as crianças devem andar descalças e usar sapatos que protejam apenas o tornozelo e o calcanhar.

Febre. A temperatura não é doença. A maioria das crianças faz quatro dias de febre e nem sempre é preciso baixar a temperatura de imediato. Os médicos alertam que a febre é um mecanismo de defesa do organismo e que um sinal de serenidade é a criança continuar a brincar.

Tosse. Adeus ao xarope. Tossir é uma forma do corpo para eliminar secreções e melhorar a respiração. Trata-se de um sintoma e não de uma doença e nos primeiros anos de vida não são recomendados inibidores da tosse.

Flúor. As gotas outrora comuns foram trocadas pelos dentífricos. Atualmente, é promovida a lavagem cada vez mais precoce dos dentes, aliás, logo que a dentição aparece na vida do bebé e, a quantidade de pasta deverá ser o equivalente à unha do 5º dedo do bebé/criança.

Brinquedos. As crianças precisam de estimular a imaginação e para isso não podem ter muitos brinquedos para poderem explorá-los ao máximo, dando-lhe várias utilizações. Os pais devem guardar os presentes, optando pela distribuição ao longo do ano.

Animais. Os eternos amigos estão de volta. Após várias teorias sobre o risco acrescido de alergias, cães, gatos, pássaros e outros animais são desejáveis para o desenvolvimento da criança.

Desporto. O cloro não faz alergia. A prática desportiva é defendida para o desenvolvimento psicomotor e a natação volta a liderar as preferências. A qualidade da água das piscinas melhorou e os bebés podem nadar a partir do sexto mês de vida. Só é preciso limpar o cloro com um banho abundante e dar bastante água para minimizar a sua presença no estômago.

Por Dr.ª Sofia Matos OliveiraMédica Interna de Medicina Geral e Familiar (USF Egas Moniz)

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